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Autismo: entenda o que é, sinais, diagnóstico e intervenções

O Transtorno do Espectro do Autismo – ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) – é um transtorno do neurodesenvolvimento ...


O Transtorno do Espectro do Autismo – ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) – é um transtorno do neurodesenvolvimento que impacta habilidades sociais, de comportamento do indivíduo e traz dificuldades de interação social, afetando aspectos como engajamento ativo, comunicação funcional e regulação emocional

Crianças e adultos com TEA podem apresentar diferentes níveis de necessidade de suporte. O que significa que, enquanto alguns têm facilidade de realizar qualquer atividade pessoal e da vida diária, outros precisam de apoio para as atividades básicas, como tomar banho, se vestir e se alimentar. 

Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), uma em cada 54 crianças nos Estados Unidos estão dentro do espectro. No Brasil, não temos certeza desse número, porém, se considerássemos esses valores, isso significaria cerca de 4 milhões de autistas no país.

Neste artigo, você vai encontrar informações sobre sinais de autismo, como é feito o processo de diagnóstico e também como ensinar a criança como autismo durante seu desenvolvimento.

Sinais 

Normalmente, os sinais de atraso no desenvolvimento que podem causar suspeita de autismo são notados quando a criança tem entre 18 meses e três anos de idade. Mesmo quando bebês, crianças no TEA apresentam características como foco excessivo em determinados objetos e raro contato visual. Em alguns casos, elas podem se desenvolver tipicamente até o segundo ou terceiro ano de vida e apresentar os sinais de autismo neste período, é o que especialistas chamam de autismo regressivo

De acordo com especialistas, as características que compõem o espectro são chamadas de “díade do autismo”: dificuldades na comunicação e interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. 

Dificuldades na comunicação social e interação social

  • Ausência ou dificuldade de fala são algumas das características mais comuns em autistas. Muitas vezes, apresentam compreensão reduzida de fala, fala em eco, dificuldade de entonação e uso de linguagem exclusivamente literal.
  • Falta ou ausência de contato visual. Muitas crianças autistas, desde muito pequenas, não costumam fixar o olhar nos olhos de uma outra pessoa diante de uma interação ou conversa. Têm também dificuldades com gestos,  expressões faciais e corporais.
  • Imagem corporal rígida, exagerada, ou diferente do esperado pelos padrões sociais, o que está diretamente relacionado à dificuldade para coordenar a comunicação não verbal com a fala.
  • Dificuldade em entender e compartilhar emoções, o que implica em dificuldades para brincar com outras crianças, fazer amizades, iniciar interações e se relacionar com os outros. 
  • Prejuízos na interação social. Muitos autistas, mesmo adultos, têm dificuldade no processamento de respostas a situações sociais mais complexas, como, por exemplo, saber quando entrar em uma conversa, ou o que se deve ou não dizer. Pessoas diagnosticadas com autismo raramente dominam essas habilidades sociais, e não entendem ironias e possíveis mentirinhas ou brincadeiras.

Padrões restritivos e repetitivos

  • Fixação ou fascínio por certos objetos. Normalmente se manifesta pela criação de rituais e fixações por certos temas, brinquedos, objetos, personagens etc. É comum utilizarem brinquedos de maneira peculiar, que lhes seja interessante, e podem também ter certo fascínio por luzes e objetos que piscam e giram.
  • Movimentos repetitivos com o corpo ou fala. Com seus próprios corpos, abanam as mãos, estalam os dedos, e balançam o corpo. Por meio da fala, apresentam ecolalia de palavras, frases e letras, ou seja, repetição mecânica de palavras ou frases que ouvem.

Nem todas as crianças com autismo apresentam todos os sinais e muitas crianças que não têm autismo apresentam alguns. É por esse motivo que a avaliação profissional é fundamental.

Como é feito o diagnóstico de autismo?

Ao contrário de outras condições, não existe um exame sanguíneo que possa detectar o autismo em um indivíduo. O TEA é diagnosticado clinicamente por médicos, com base em sinais e testes.

Um dos manuais responsáveis pela definição dos critérios de autismo é o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais , 5ª edição), da Associação Americana de Psiquiatria. Nele, a pessoa pode ser diagnosticada com autismo nível 1, 2 ou 3 (dependendo do suporte que ela precisa). 

Assim, autistas que conseguem realizar as atividades diárias de forma independente e com pouca ajuda podem estar no nível 1 e aqueles que precisam de mais suporte nessas e em outras etapas do desenvolvimento podem estar no nível 3.

Em alguns casos, o autismo vem associado a alguma comorbidade, nome dado a condições como deficiência intelectual, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outras que podem estar associadas ao diagnóstico. Por este motivo, as intervenções precisam levar em consideração essas condições para serem efetivas.

De acordo com a neuropsicóloga Joana Portolese, o diagnóstico de autismo e suas comorbidades é sempre fechado por um médico, com apoio de uma equipe multidisciplinar.  

Preciso do diagnóstico para iniciar as intervenções? 

Ao contrário do que muitas famílias pensam, não é necessário ter o diagnóstico de autismo fechado para iniciar as intervenções. Os atrasos no desenvolvimento podem ser estimulados por uma equipe multidisciplinar, mesmo enquanto os pais ainda estão em investigação para conseguir o laudo médico. 

Aliás, quanto antes esta intervenção começar, melhor. É importante destacar que qualquer criança com autismo pode aprender devido à neuroplasticidade, que é a habilidade do cérebro de estabelecer novas conexões que são marcos do aprendizado. A única diferença é que pessoas com TEA precisam de mais atenção e estratégias que estimulem esse aprendizado. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intervenções indicadas para pessoas com desenvolvimento atípico, especialmente o autismo, devem ser baseadas em práticas com evidências científicas, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA, da sigla em inglês para Applied Behaviour Analysis). 

Vale lembrar que, como as características de cada pessoa no espectro podem variar muito, esse processo de intervenção é individualizado e conta com uma equipe multidisciplinar (com neurologista, psiquiatra, psicólogo, pedagogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional) que trabalha em torno das dificuldades da pessoa para que ela se torne mais independente e bem sucedida ao longo do tempo.

A presença dos pais também é essencial nesse processo, uma vez que são eles quem passam a maior parte do tempo ao lado da criança e são os professores mais naturais dela. Pesquisas já realizadas demonstram que a aplicação de práticas baseadas em evidências têm mais eficácia quando acompanhada do treinamento de pais. 



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