Evidência científica

RUBI: método que ajuda pais durante crises da criança com autismo

Lidar com comportamentos desafiadores nos filhos é uma das principais dificuldades das famílias de crianças com autismo ...


Lidar com comportamentos desafiadores nos filhos é uma das principais dificuldades das famílias de crianças com autismo e até neurotípicas. Pensando nisso, especialistas desenvolveram modelos de treinamentos de pais, como o RUBI, que visa instrumentalizar os cuidadores para que eles consigam saber o que fazer e como agir.

O RUBI foi desenvolvido pela Dra Karen Bearss, pesquisadora na Universidade de Washington e membro do conselho clínico da Genial Care. Para mostrar a eficácia do treinamento, ela conduziu o estudo Parent Training versus Parent Education on Behavioral Problems in Children with Autism Spectrum Disorder [Treinamento de pais x educação de pais nos comportamentos desafiadores em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo, em português].

De acordo com o estudo, comparados com programas de educação parental, o RUBI têm mais eficácia na diminuição desses comportamentos.

O estudo 

Entre setembro de 2010 e fevereiro de 2014, Karen Bearss e parceiros conduziram o estudo em 6 centros (Emory University, Indiana University, Ohio State University, University of Pittsburgh, University of Rochester, Yale University). Ao todo, 267 famílias participaram da pesquisa. Destas, 180 estavam no espectro do autismo, com crianças de idades entre 3 e 7 anos.

Os familiares destas crianças foram expostos aos programas de Treinamento de Pais e Educação de Pais, compostos da seguinte forma:

  • Treinamento de pais: 

    11 sessões principais com duração de 60 a 90 minutos, até 2 sessões opcionais, 1 visita domiciliar e até 6 sessões de orientação para pais e filhos ao longo de 16 semanas.
    Também foram incluídos 1 visita domiciliar e 2 sessões de reforço por telefone entre as semanas 16 e 24. Distribuir as sessões de treinamento dos pais ao longo de 16 semanas proporcionou flexibilidade de agendamento e promoveu a oportunidade para a aprendizagem mais completa dos pais. 

O manual do treinamento incluía ainda roteiros literais e instruções para terapeutas. As sessões de tratamento usaram instrução direta, exemplos de vídeo, atividades práticas e ensaio (dramatização) com feedback para promover a aquisição de habilidades dos pais. Nas tarefas de casa entre as sessões, os pais aplicaram novas técnicas a comportamentos específicos.

  • Educação de pais:

    12 sessões de 60 a 90 minutos e 1 visita domiciliar durante 24 semanas. As sessões cobriram informações úteis sobre crianças pequenas com autismo, incluindo os fundamentos da avaliação, mudanças de desenvolvimento, planejamento educacional, defesa e opções de tratamento atuais. 

A seleção da educação dos pais como um comparador ativo ao treinamento pretendia determinar se a informação por si só poderia melhorar os problemas comportamentais da criança.
Para promover a fidelidade ao tratamento, o manual de educação aos pais também incluía roteiros detalhados do terapeuta e apostilas para os pais em cada sessão. A educação dos pais não incluiu nenhuma instrução sobre gestão do comportamento.

Ao chegar ao final do estudo, alguns dos principais resultados verificados foram:

 Aberrant Behavior Checklist–Irritability [espécie de lista de verificação para comportamentos de irritabilidade]

  • redução de 47,7% no treinamento de pais (de 23,7 para 12,4)
  • redução de 31,8% na educação de pais (de 23,9 para 16,3)

Home Situations Questionnaire–Autism Spectrum Disorder:

  • redução de 55% no treinamento de pais (de 4,0 para 1,8)
  • redução de 34,2% na educação de pais (de 3,8 para 2,5)

Clinical Global Impression–Improvement

  • 68,5% no treinamento de pais
  • 39,6% na educação de pais

Ao fim do estudo, os resultados mostraram que, para crianças com TEA, um programa de treinamento dos pais de 24 semanas foi superior à educação dos pais para reduzir o comportamento desafiador. 

Os resultados foram definidos a partir de relatos dos pais. A taxa de resposta positiva avaliada por clínicos independentes (que não participaram como terapeutas no estudo e não tiveram contato com as famílias durante a pesquisa) também foi maior para o treinamento dos pais em relação à educação dos pais.

Um dos fatores que podem contribuir para a eficácia é que o treinamento de pais traz alguns elementos que ajudam a preservar a individualização de cada um, além de poderem ser replicados em diversos nos quais a criança está inserida. 

Saiba mais sobre a ciência do treinamento de pais

Você pode se interessar também

Receba novos conteúdos por email

Enviamos semanalmente novas edições da nossa newsletter, com conteúdos científicos sempre atualizados para você e sua família.