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Autismo e intervenção: quais são os profissionais que fazem?

A intervenção no autismo compõe uma série de terapias e acompanhamentos que são essenciais para o desenvolvimento de ...


A intervenção no autismo compõe uma série de terapias e acompanhamentos que são essenciais para o desenvolvimento de quem está no espectro. Normalmente indicada por especialistas, mesmo quando ainda existe apenas uma suspeita do diagnóstico, ela tem como objetivo promover estimulação em áreas necessárias. 

Escolher a intervenção ou as intervenções, assim como a equipe multidisciplinar que vai realizá-las é uma preocupação constante das famílias. Segundo a especialista em diagnóstico de TEA e distúrbios do neurodesenvolvimento e membra do conselho clínico da Genial Care, Celine Saulnier, as singularidades de cada criança fazem parte desse processo.

“O resultado ideal é diferente para cada criança, mas o objetivo deve ser aumentar a capacidade da criança de ser o mais independente e autossuficiente possível na vida. Fechar lacunas nos atrasos cognitivos, de linguagem e de comportamento adaptativo está associado a uma maior independência na idade adulta”, avalia. 

 

Neste texto, vamos falar sobre a importância da equipe multidisciplinar na intervenção e como saber escolher os profissionais e mensurar as intervenções. 

Os profissionais que fazem intervenção no autismo

Uma série de profissionais de diversas especialidades compõem a equipe multidisciplinar responsável por assistir uma pessoa no espectro do autismo. Isso porque são identificados níveis de necessidade de suporte diferentes em algumas áreas como a interação social e comunicação. 

De acordo com a especialista em Análise do Comportamento pela USP, Maria Luiza Jordão, a equipe multidisciplinar deve sempre levar em consideração a individualidade. 

“O autismo se manifesta e se desenvolve de forma única em cada indivíduo. Por isso, é importante olhar cada ser como um ser único. É preciso pensar nessas particularidades, dificuldades e habilidades a serem desenvolvidas quando formos pensar na equipe que vai atender”, explica.

Assim, alguns dos especialistas que normalmente estão neste atendimento são: 

  • Analista do comportamento: atende diretamente a pessoa e está presente no dia a dia 
  • Fonoaudiólogo: trabalha com intervenções de linguagem e comunicação
  • Psicopedagogo: atua na inclusão escolar e familiar e criação do currículo pedagógico
  • Terapeuta ocupacional: avalia o desempenho do paciente em suas funções e elabora o tratamento utilizando métodos e técnicas para que as pessoas com TEA tenham o maior nível de independência e autonomia possível.

Além dessas, existem algumas outras especialidades pouco usuais que também podem integrar as intervenções para o autismo, a depender da necessidade de cada um. Conforme analisa Maria Luiza: 

“Fisioterapeutas ou educadores físicos, profissionais de equoterapia e musicoterapia podem estar presentes nessa equipe. Hoje nós também temos a gameterapia, que trabalha com a criança através de jogos, videogames, que também é uma terapia que está sendo bastante utilizada, mas talvez não seja tão conhecida ainda”. 

“Nós temos que pensar sempre que para cada criança pode haver a necessidade de uma determinada terapia. Para alguns, a musicoterapia pode ser enriquecedora, para outros, como por exemplo crianças com sensibilidade auditiva nem tanto”, avalia. 

Intervenção com práticas baseadas em evidências científicas

As intervenções mais indicadas para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) são aquelas com práticas baseadas em evidências científicas, que determinam um conjunto de procedimentos para os quais os pesquisadores forneceram um nível aceitável de pesquisa que mostra que a prática produz resultados positivos para crianças, jovens e ou adultos com TEA. 

Assim, podemos dizer que a utilização desses resultados de pesquisas serve como ferramenta para atingir a evolução com as necessidades do indivíduo – ou seja, elas funcionam e são comprovadas!

Atualmente, existem 28 práticas baseadas em evidências para o TEA que atingiram todos os critérios propostos pela revisão. Destas, 23 eram baseadas nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

Segundo explica Maria Luiza, logo que identifica as suspeitas  

Mensurando os resultados da intervenção

Por último, é necessário que a família compreenda como mensurar os resultados da intervenção. Isso porque é preciso entender se o que está sendo proposto pela equipe multidisciplinar funciona com a criança e reflete na conquista de novas habilidades, mudança de comportamentos, como as crises, e melhora o desenvolvimento. 

Segundo Maria Luiza, os pais conseguem analisar por meio de alguns critérios: “Através de resultados, como a diminuição dos comportamentos-problema, através da análise de dados, gráficos que mensuram sistematicamente as evoluções do programa de ensino e também do desenvolvimento e de habilidades que estão sendo trabalhadas com a criança”, pontua. 

Ela ainda reforça que não existe um tempo determinado para começar a observar as mudanças de comportamento e desenvolvimento de outras habilidades. 

“É preciso fazer com que o comportamento aprendido se generalize para outros ambientes. Na escola, com os pais, não só na terapia. O período de tempo depende muito de cada criança, e não podemos determinar. Mas é importante termos tudo registrado para saber que tipo de ajuda estamos dando àquela criança e como tem funcionado”, finaliza.

 

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