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Diagnóstico de autismo: quais profissionais podem dar laudo?

Quando notamos algo diferente em uma criança que pode significar atraso no desenvolvimento, é natural começar a ...


Quando notamos algo diferente em uma criança que pode significar atraso no desenvolvimento, é natural começar a pesquisar sobre o tema. As famílias querem investigar todas as possibilidades e, muito provavelmente durante essas pesquisas, vão se deparar com o autismo. Mas será que é mesmo TEA? Como posso diagnosticar?


O primeiro passo é entender quais são os marcos do desenvolvimento infantil até os 6 e até os 12 anos. Depois disso, pesquisar mais sobre sinais que possam identificar atraso no desenvolvimento e, então, partir para buscar uma ajuda profissional. Te ajudamos mais a entender sobre como fazer isso. 

Qual profissional faz diagnóstico de autismo?

Primeiramente, é importante esclarecer que o diagnóstico de autismo não é fechado somente por um profissional, mas sim por uma equipe multidisciplinar que vai trabalhar no processo de investigação comportamental e entender se aquela pessoa está ou não no espectro do autismo. Alguns dos profissionais que compõe essa equipe são: 

  • Psiquiatra da infância e da juventude
  • Neuropediatra
  • Neuropsicólogo
  • Fonoaudiólogo
  • Psicólogo 
  • Neurologista
  • Terapeuta ocupacional

De acordo com a neuropsicóloga Joana Portolese, essa equipe precisa seguir os critérios determinados pelo DSM 5 (Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Americana de Psiquiatria, 5ª edição). 

“Eu tenho esse sintoma, esse critério A, e esse critério B, mas o que que vai determinar a minha gravidade? Se eu tenho deficiência intelectual ou não, se eu tenho comorbidade ou não, se eu tenho atraso de linguagem, alguma questão específica de linguagem ou não, se eu tenho alteração sensorial, hipo ou hiper reatividade. Quando a gente começa a falar desses especificadores, a gente tá falando também da equipe multidisciplinar”, pontua.

Ela continua, explicando a função de cada profissional neste processo de diagnóstico. “É um trabalho de equipe. Um médico fecha, bate o martelo do diagnóstico. E aí você tem, por exemplo, o psicólogo que vai poder diferenciar esse nível e a questão intelectual, até para pensar nas forças e fraquezas e contribuir aí com as intervenções. Você tem a fonoaudióloga, que consegue fazer um diferencial, para uma apraxia ou um transtorno da comunicação social, que não é o autismo. Enfim, ou mesmo dentro do autismo para ver as questões, as funções e preservá-las para o desenvolvimento da fala”

“Tem também a TO, terapeuta ocupacional, que vai fazer essa avaliação de integração sensorial para pensar na intervenção. As psicólogas que fazem avaliação comportamental para ver pré-requisitos para programa de intervenção, ABA. O autismo não é uma única causa, uma única questão a ser trabalhada, é um conjunto de sintomas. Então, um profissional só não consegue abarcar tudo”.

Noto sinais, mas os profissionais não acreditam que seja autismo. E agora?

Ainda hoje, muitas famílias relatam dificuldades em conseguir o diagnóstico de autismo ou mesmo identificar atrasos no desenvolvimento da criança quando procuram ajuda profissional. Segundo Joana, isso acontece porque existem muitos transtornos que podem surgir ao longo do desenvolvimento infantil.

“Talvez seja mais usual esse profissional falar assim “Olha, vamos esperar um pouco, vamos acompanhar”. Como tem as questões dos transtornos do neurodesenvolvimento, algumas coisas vão ficando mais claras, como o autismo. Aos dois anos o TDAH [Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade], aos seis ou sete anos a dislexia, e os transtornos de aprendizagem, pode ser dislexia, discalculia, mesma deficiência intelectual, enfim, transtornos que já ficam mais claros para a gente no período de alfabetização. Então, vão sendo etapas que a gente vai observando a criança para definir melhor, qual é o cerne da dificuldade”, afirma. 

Ela ainda diz que alguns profissionais preferem começar intervenções precoces enquanto fazem essas observações até conseguir traçar um diagnóstico. 

“A gente sabe que, na literatura, entre as pessoas diagnosticadas com autismo por volta dos dois anos, 9% passa a não preencher mais critério aos quatro anos. Isso não significa que o diagnóstico foi errado. Mas significa que essa criança tinha critérios para preencher esse A e B, mas com o desenvolvimento da comunicação, com essa equipe multiprofissional no desenvolvimento, intervenção e estimulação, pôde, por exemplo, melhorar muito essa comunicação”. 

Iniciando as intervenções

É importante lembrar que as intervenções podem – e devem – começar mesmo sem um diagnóstico fechado. Assim que o profissional indicar que existe atraso no desenvolvimento ou suspeita de autismo, é hora de iniciar a intervenção. O estímulo é essencial para que a criança se desenvolva e atinja os marcos do desenvolvimento.

Além disso, a presença dos pais nesse processo de tratamento é considerado um fator que aumenta a probabilidade de resultados positivos para a criança. Pesquisas demonstram que os serviços ABA para crianças com autismo que incluem o treinamento dos pais resultam em melhores resultados para a criança, em comparação com os serviços sem o treinamento dos pais. A Genial Care quer te guiar nessa jornada do autismo, para saber mais, clique aqui

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