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Terapia para autismo: conheça as intervenções mais comuns

A busca por terapia para autismo é uma preocupação de muitas famílias que recebem o diagnóstico. Isso porque existem ...


A busca por terapia para autismo é uma preocupação de muitas famílias que recebem o diagnóstico. Isso porque existem diversas intervenções recomendadas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e muitos profissionais que podem compor a equipe multidisciplinar. 

Escolher profissionais e clínicas para o atendimento de pessoas autistas é uma tarefa difícil e muitos aspectos precisam ser levados em consideração nessa decisão. Por isso, escrevemos um artigo que vai ajudar as famílias a conhecer algumas das terapias mais comuns no autismo e mais informações sobre profissionais.

Quais são as terapias mais indicadas para o autismo?

As terapias mais indicadas para pessoas no TEA são aquelas baseadas nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), segundo a OMS.  Isso porque, quando aplicada ao autismo, a ABA desenvolve uma avaliação individual e, a partir daí, é possível elaborar estratégias que possam ajudar no desenvolvimento de habilidades e na redução de comportamentos desafiadores e aprendizado de novas habilidades. 

Práticas baseadas em evidências científicas para o TEA, como a ABA são constantemente estudadas e revisadas para a comprovação de seus resultados nas intervenções em indivíduos com autismo. 

No último relatório Evidence-based Medicine foram analisados 20 anos de intervenções para TEA, identificando um total de 28 práticas baseadas em evidências para o autismo que atingiram todos os critérios determinados pela revisão. Destas, 23 eram baseadas na ABA.

Quais profissionais podem fazer as intervenções?

Assim como as terapias, existem muitos profissionais que podem integrar a equipe multidisciplinar que atende uma pessoa no TEA. Alguns dos mais comuns são: 

  • Psicólogos
  • Psicopedagogos
  • Fonoaudiólogos
  • Terapeutas ocupacionais 
  • Analistas do comportamento 
  • Nutricionista

Outros profissionais que podem integrar a equipe multidisciplinar junto a esses, ou até no lugar deles são: 

  • Fisioterapeutas
  • Educadores físicos
  • Profissionais de equoterapia
  • Musicoterapeutas

De modo geral, são diversas especialidades que podem fazer parte das terapias para o autismo. O que vai determinar qual delas será a mais eficiente é justamente a avaliação de cada indivíduo, de modo a entender quais são os desafios de aprendizado e habilidades já desenvolvidas, além dos gostos pessoais e contexto no qual a pessoa está inserida, que podem auxiliar muito no processo.

Conheça as intervenções mais comuns no autismo 

O estudo Cuidando de quem cuida: um panorama sobre as famílias e o autismo no Brasil identificou quais as intervenções mais procuradas e realizadas pelas famílias dos respondentes. Veja um pouco mais sobre algumas delas a seguir.

Fonoaudiologia (64%)

Intervenção mais citada no estudo, a fonoaudiologia consiste em terapias com objetivo de trazer melhoras na comunicação oral, escrita, voz, audição e equilíbrio. Por meio dela, o profissional atua em pesquisa, orientação, perícias, prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento fonoaudiológico nestas áreas. 

No caso do autismo, a alta procura se dá pelo fato de que pessoas no espectro apresentam dificuldades na comunicação, especialmente a fala

Terapia ocupacional (59%)

Já a terapia ocupacional, que foi a segunda intervenção mais citada no estudo, é a área responsável por promover saúde e bem-estar de pessoas com problemas sensoriais, motores e físicos. 

Quando aplicada ao autismo, a terapia ocupacional utiliza tecnologia e atividades diversas que pretendem buscar autonomia e melhorar a adaptação da vida social daquele indivíduo.

Terapia comportamental (ABA) (42%)

As terapias que seguem os princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) são as mais indicadas pela OMS para pessoas com desenvolvimento atípico, especialmente o autismo. Isso porque, quando aplicada ao TEA, as estratégias têm se mostrado eficientes na aquisição de novas habilidades e redução de comportamento prejudiciais.

Na equipe multidisciplinar, a especialização em ABA não é exclusiva dos profissionais da psicologia. No entanto, a família precisa tomar algumas precauções na hora de escolher profissionais e clínicas para as intervenções. 

Acompanhamento pedagógico (39%)

Toda pessoa no espectro do autismo tem direito à educação. Por esse motivo, o acompanhamento pedagógico é essencial para garantir que cada um tenha suas individualidades e necessidades respeitadas. 

É dever do profissional de acompanhamento pedagógico avaliar de perto e individualmente o desempenho de cada aluno para fornecer estratégias personalizadas. 

Vale lembrar ainda que, de acordo com a lei 12.764/12 (conhecida como Lei Berenice Piana), alunos com autismo têm direito a um acompanhante pedagógico especializado fornecido pelo colégio. 

Fisioterapia ou atividade física (25%)

O desenvolvimento motor também pode ser afetado em pessoas com espectro autista. E a coordenação motora fina e grossa são essenciais para muitas atividades, como escrever, por exemplo. 

Por esse motivo, profissionais da fisioterapia e atividade física também podem compor a equipe multidisciplinar de atendimento da pessoa autista. Vale lembrar que, assim como nas outras terapias, é preciso que haja adaptações de acordo com a necessidade da pessoa assistida. 

Além dessas, existem outras intervenções que também podem fazer parte das terapias para pessoas com TEA. Como: 

  • Equoterapia
  • Gameterapia
  • Musicoterapia

O maior objetivo das terapias para o autismo é que cada pessoa tenha seus desafios de aprendizado identificados e trabalhados de maneira saudável, e sempre adaptados à realidade na qual vivem. Com isso, cada pessoa pode crescer com sua independência e atingir todo o seu potencial.

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