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O que são comorbidades?

Comorbidade é o nome dado quando uma condição está acompanhada de outra (ou outras). Nos casos de diagnóstico ...


Comorbidade é o nome dado quando uma condição está acompanhada de outra (ou outras). Nos casos de diagnóstico de autismo, é muito comum que a equipe multidisciplinar indique outros transtornos e condições que fazem parte do quadro diagnóstico. Isso significa que, dificilmente, uma pessoa vai estar somente no espectro do autismo. Ela pode, por exemplo, ter epilepsia, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), deficiência intelectual (D.I.) e outros.

No estudo Cuidando de quem cuida: um panorama sobre as famílias e o autismo no Brasil em 2020, concluído em 2 de dezembro, 35% das pessoas que responderam informaram que a criança tinha diagnóstico de autismo acompanhado de uma ou mais comorbidades. Sendo assim, a principal delas, segundo eles, é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que representa 46% dos diagnósticos.

Saber se uma pessoa com autismo tem comorbidades e saber quais são é um passo essencial que vai refletir diretamente nas intervenções, terapias e, em alguns casos, até na indicação de medicamentos que vão ajudá-la.

As comorbidades no autismo

Paula Mondini é mãe do Eduardo, que recebeu o diagnóstico de autismo aos dois anos e meio. Conversando com nossa líder de comunidade, Gabriela Bandeira, ela contou que a indicação para que a família procurasse uma psicopedagoga partiu da escola, que notou dificuldades dele em acompanhar o ensino infantil.

“A gente já percebia que ele vinha tendo dificuldades em desenvolver a fala. Por isso, estávamos procurando um neurologista e uma fonoaudióloga. Assim que a gente chegou na psicopedagoga, ela disse que o Eduardo tinha um distúrbio, sim, mas que quem avaliaria isso seria o neuropediatra”, comenta.

Já a descoberta de que o filho também tinha TDAH como uma das comorbidades junto ao diagnóstico veio algum tempo depois. Nesta época, ele já fazia intervenções baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA).  “O neuropediatra fez alguns exames e diagnosticou ele com TDAH”.  

Por causa da comorbidade, Eduardo passou a fazer uso de dois medicamentos. “Ele era muito agitado. Acordava muito durante a noite e era muito difícil ter um sono tranquilo e reparador. Isso prejudicava muito no aprendizado e no comportamento dele. A partir do início da administração das medicações, ele teve uma melhora muito grande, bem significativa”, afirma.

Além dos medicamentos, Eduardo ainda mantém as intervenções e terapias baseadas em ABA com a equipe multidisciplinar e continua com os estudos em uma escola regular.

Outras comorbidades presentes no estudo

Outras comorbidades também foram bastante citadas no estudo: transtornos de ansiedade (29%) e deficiência intelectual (21%). Esses dados são bastante relevantes para mostrar como as intervenções e até o uso de medicamentos são diferentes, mesmo entre pessoas diagnosticadas com o mesmo nível de TEA.

Sobre o estudo

A Genial Care aplicou o estudo Cuidando de quem cuida: um panorama sobre as famílias e o autismo no Brasil em 2020 com cuidadores de crianças com autismo de 0 a 12 anos em todo país de setembro a dezembro. No total, foram colhidas 535 respostas de pessoas que convivem e são as principais responsáveis pelas crianças no espectro. Os resultados finais completos estarão disponíveis em breve.

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