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Crises de agressividade no autismo: aprenda a lidar com elas

As crises de agressividade são bem comuns em pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e podem ocorrer em ...


As crises de agressividade são bem comuns em pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e podem ocorrer em qualquer momento de suas vidas. Esse tipo de comportamento causa preocupação às famílias, e precisa ser abordado nas intervenções comportamentais.

Essas crises podem acontecer de diversas formas, desde gritar ou atirar objetos, até agredir a si mesmo ou outras pessoas. São diversos os motivos que produzem essas crises, dentre eles a dificuldade da pessoa autista em se comunicar de forma mais funcional. 

Neste artigo, explicamos mais sobre essas crises, e também quais estratégias podem ajudar a família e profissionais a reduzi-las usando os princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

Os prejuízos das crises de agressividade em pessoas autistas

Como explicamos, a possibilidade de autoagressão ou agressão a outras pessoas é uma das principais preocupações de famílias que convivem com pessoas autistas que têm crises de agressividade. No entanto, existem outros prejuízos que esses comportamentos causam. 

Um deles é justamente o isolamento de todo núcleo familiar. Esse tema já foi abordado em alguns estudos como o “Home Sweet Home? Families’ experiences with aggression in children with Autism Spectrum Disorders” (Lar, doce lar. As experiências das famílias com agressividade de crianças com TEA, em tradução livre). 

De acordo com a publicação, os principais motivos para esse isolamento são a segurança da pessoa e de outras pessoas que podem estar por perto no momento da crise. Além disso, muitas dessas famílias contam com apoio profissional limitado, e se sentem inseguras em lidar com os comportamentos agressivos. 

Como identificar as crises de agressividade no autismo?

Um comportamento só pode ser modificado e substituído por um novo comportamento mais adequado e funcional quando o observamos e entendemos todos os detalhes sobre ele. 

Por isso, quando uma crise de agressividade acontecer, o primeiro passo é analisar cada comportamento que a compõe. Além da observação, é interessante anotar e descrever esses comportamentos. 

Veja aqui um exemplo de como fazer isso: 

crises no autismo

O que você consegue observar na imagem acima? 

A criança está chorando. Mas é importante detalhar cada comportamento:

  • Ela chora; 
  • Está deitada ao chão; 
  • Segura um dos braços; 
  • Tem a boca aberta, provavelmente porque está gritando. 

Ao observar a imagem da primeira vez, de forma superficial, a primeira percepção é de que uma criança está chorando. Mas quando olhamos os detalhes e os anotamos, parece claro que essa criança pode ter caído e se machucado, certo? 

Da mesma forma que fizemos com essa imagem, é possível fazer com as crises de agressividade. A criança chora? Grita? Se joga no chão? Atira objetos? Entender qual o padrão dos comportamentos que compõem a crise é o passo inicial para conseguir criar estratégias que vão ajudar a reduzi-las e, mais tarde, evitar que elas aconteçam. 

Isso faz parte de uma estratégia conhecida como ABC, que são as siglas em inglês para Antecedent (Antecedente) -> Behavior (Comportamento) -> Consequence (Consequência). Agora que você já sabe identificar os comportamentos vamos falar sobre as outras duas esferas. 

Conhecendo e identificando os antecedentes

Como o próprio nome já diz, antecedente é tudo aquilo que acontece antes do comportamento. Para conseguir identificar qual ou quais são os antecedentes de uma crise de agressividade também é preciso prestar atenção ao que ocorre antes dela. 

Muitas crises de agressividade podem ser ocasionadas porque a pessoa autista não quer fazer algo ou tem um desejo negado, por exemplo. Mas podem existir outros motivos, como estar em um local muito barulhento ou com muitos estímulos visuais. 

Por isso, preste atenção ao que pode estar acontecendo e, assim como no comportamento, quando identificar um padrão, você terá um antecedente.

Como saber quais são as consequências?

Consequência é tudo aquilo que acontece depois do comportamento escolhido para ser analisado. Todo comportamento acontece por um motivo, tem uma razão, e quer te comunicar algo. 

O que acontece, muitas vezes, é que as consequências servem como um reforçador para o comportamento. Por exemplo: 

crises de agressividade autismo

Vamos imaginar que após identificar o comportamento e o antecedente nesta imagem, a mãe ou pai da criança tenha entendido que o que provocou a crise foi o fato dela estar cansada de andar e querer ser pega no colo. 

Se os pais cederem à vontade da criança e a pegarem no colo logo após a crise, ela pode entender que esses comportamentos funcionam para o objetivo de ser pega no colo. Assim: 

ABC DO COMPORTAMENTO

Assim, podemos dizer que o fato dos pais cederem ao desejo da criança após o comportamento de choro é o que reforça para que o comportamento ocorra mais vezes no futuro. 

Agora vamos imaginar como esse comportamento pode ser modificado após as intervenções. O objetivo vai ser que a criança consiga comunicar aos pais que está cansada de andar e precisa de ajuda, sem precisar emitir esses comportamentos para conseguir colo. Ou seja, ela terá uma forma melhor de comunicar aos pais seu desejo. 

Estratégias de intervenção para crises de agressividade 

Ter uma equipe multidisciplinar que atua em intervenções baseadas em evidências científicas para a pessoa autista é essencial para o processo de desenvolvimento. O gerenciamento de crises de agressividade também faz parte disso. Para auxiliar nisso, as práticas baseadas em evidências podem integrar as intervenções. 

O mais importante a se ter em mente é que todos os comportamentos podem ser aprendidos. Assim, o mais importante é usar a ciência como aliada nesse processo para garantir que a pessoa autista tenha a melhor qualidade de vida possível. 

Além dessas, existem outras estratégias que cuidadores podem usar para evitar as crises no autismo. Acesse nosso site para conhecer mais sobre nosso trabalho

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