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Autismo é considerado uma doença mental?

No último domingo (17), o tema escolhido para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM): ‘O estigma associado ...


No último domingo (17), o tema escolhido para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM): ‘O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira’, surpreendeu muitas pessoas. Por esse motivo, as buscas online para entender se o autismo também é considerado uma doença mental aumentaram consideravelmente no período. Se você também faz parte do time que tem essa dúvida, te explicamos mais sobre o assunto! 

Começando do princípio, sabemos que o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), como hoje é chamado, é uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que modifica a forma como indivíduos que estão no espectro veem e compreendem o mundo, e até a forma como se relacionam com as outras pessoas. 

Assim, podemos dizer que pessoas com autismo têm dificuldades de interação social e comunicação. Existe ainda uma diferença dentro do próprio espectro. Ou seja, enquanto alguns conseguem realizar a maioria das atividades de vida diária sem apoio, outros precisam de ajuda até em tarefas consideradas simples. 

Doença, síndrome ou transtorno? 

Para falar sobre o autismo como doença, síndrome ou transtorno, precisamos primeiro entender o conceito desses três termos. 

  • Doença: toda alteração biológica do estado de saúde de um ser que se manifesta por um conjunto de sintomas perceptíveis ou não. É também tudo aquilo que causa enfermidade, mal ou moléstia.
  • Síndrome: provoca um conjunto de sinais e sintomas. Estes ocorrem ao mesmo tempo e podem ter causas variadas, assemelhando-se a uma ou a várias doenças. Denominamos como síndrome condições que ainda não têm uma causa bem definida.
  • Transtorno: já os transtornos são condições de ordem psicológica e/ou mental que geram comprometimento na vida normal de uma pessoa.

Transtorno do espectro do autismo no DSM e no CID

 Os documentos oficiais que determinam as nomenclaturas e forma de diagnóstico de TEA são o DSM (Manual Estatístico e Diagnóstico de Doenças Mentais) e o CID (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde). 

O primeiro é da Associação Americana de Psiquiatria, e está em sua 5ª edição. Utilizado por profissionais dos Estados Unidos para diagnóstico e entendimento de diversos transtornos e condições, incluindo o autismo. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu o CID, seguindo as orientações já publicadas no DSM. Ele é o documento usado por profissionais brasileiros para o diagnóstico. Sua versão mais atual é a 11ª, que passou a vigorar esse mês. 

A própria nomenclatura e classificação do TEA dentro desses dois documentos mudou de acordo com os anos. Antigamente, o autismo fazia parte do que chamamos de Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGDs), e seu diagnóstico podia ser de: autismo clássico, autismo infantil, síndrome de Asperger, entre outros. Mas, a partir dessas novas edições, usa-se o termo Transtorno do Espectro do Autismo, subdividido em nível 1, 2 ou 3.

Mas apesar dos dois documentos levarem o termo doença no nome, o autismo não é considerado doença. Te explicamos o porquê a seguir. 

Autismo não é doença 

Como explicamos anteriormente, o autismo afeta a comunicação e interação social de um indivíduo, além de poder trazer comportamentos restritos e repetitivos. Essas alterações não ferem a saúde física do indivíduo, mas podem gerar medo, irritabilidade e ocasionar choro e crises mais intensas. 

Por esse motivo, e também pelo fato de não existir uma cura, o TEA não é considerado doença, o que também faz com que ele não seja considerado uma doença mental. Ao contrário disso, o autismo é um transtorno ou uma condição e pessoas com autismo não precisam ser curadas, mas, sim, apoiadas e ajudadas no que precisam para se desenvolverem e conseguirem criar independência e autonomia em suas vidas.

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