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Ansiedade, culpa e aceitação: como enfrentar emoções difíceis?

Aprender a se regular é um importante passo para encontrar a maturidade emocional e lidar melhor com os sentimentos. No ...


Aprender a se regular é um importante passo para encontrar a maturidade emocional e lidar melhor com os sentimentos. No caso de quem convive com uma criança com autismo, é também o ponto inicial para garantir o desenvolvimento dela. Isso porque, se você não está bem, a criança também não está. 

Ainda assim, é totalmente natural que em meio a esse processo os pais precisem lidar com alguns sentimentos difíceis, como a ansiedade, a culpa e a dificuldade em aceitar. Se você já sentiu ou sente  alguma dessas emoções, saiba que não está sozinho e que está tudo bem em se sentir assim. 

Não consigo controlar minha ansiedade

A ansiedade é um sentimento natural, especialmente quando estamos vivenciando algo completamente novo e temos incertezas quanto ao futuro. No caso de quem convive diariamente com o autismo, essa realidade é ainda mais frequente. 

De acordo com o Instituto Priorit, pais de crianças com autismo estão mais propensos a sofrerem com transtornos de ansiedade, humor e sintomas obsessivos do que pais de crianças consideradas neurotípicas. 

Um estudo realizado pelo grupo de pesquisas com pais de pessoas no espectro do autismo na cidade de Salvador (BA) mostrou que 26,7% tinha depressão; 33, 7% sofria com ansiedade e 18,9% tinha os dois transtornos. Falando da população em geral, estima-se que 5% tenha depressão e 4,5% ansiedade. 

O que sinto é culpa 

Saber que seu filho está no TEA não é fácil. E mesmo nas famílias em que o diagnóstico não é mais recente, a culpa pode ser um sentimento frequente. 

Estudos também mostram que a culpa, além da baixa autoestima, perda de confiança no futuro, estresse conjugal, problemas de sono e redução de renda família também podem surgir em algum momento.  

Entender que você não poderia ter feito nada de diferente, e que o fato da criança ter um transtorno não é sua culpa é essencial para conseguir driblar esse sentimento e seguir em frente. 

Estou tendo dificuldades em aceitar

Quando relatam a sensação de ouvir pela primeira vez que o filho está no espectro do autismo, muitas famílias comparam a situação à vivência de uma espécie de luto em vida. Segundo psicólogos explicam, esse sentimento é comum por causa da idealização que os pais normalmente fazem com os filhos. 

Por isso, receber o diagnóstico – ou mesmo lidar com a suspeita – de autismo traz uma série de receios e incertezas de como prosseguir dali para a frente. Este é um sentimento genuinamente natural. 

No livro “Autismo, não espere, aja logo”, Paiva Junior comenta sobre essa sensação. “A descoberta de que há algo errado com seu filho. É como se o chão sumisse sob seus pés momentaneamente. Um susto. A reação logo a seguir é a de negar, duvidar e achar que tudo que indica esse problema está errado”, conta. 

Passar pelo processo de negação é completamente natural. Mas se ela parece durar mais do que o habitual e te consumir, é hora de procurar ajuda. Na Genial Care, dizemos que uma excelente forma de lidar com esse sentimento difícil é focar nos aprendizados e potenciais da criança, e não naquilo que ela não consegue fazer. Ela ainda é um sujeito de possibilidades e a estimulação é o melhor caminho para que vocês trilhem um caminho singular e extraordinário.

Lidando com emoções difíceis

O primeiro passo para lidar com estas emoções difíceis talvez seja algo que você já fez: aceitá-las. A partir daí, é importante notar o que você consegue mudar sozinha e o que precisará de ajuda para enfrentar. 

Quando cuidamos de uma criança com autismo, a demanda de entender mais sobre o TEA, encontrar profissionais adequados e resolver as situações do dia a dia podem nos sobrecarregar e nos deixam sem tempo de cuidar de nós mesmos. Esta é, aliás, uma necessidade dos cuidadores: 48% alegam falta de tempo para descansar e cuidar de si mesmos

Buscar ajuda profissional também é uma forma de autocuidado. Em muitos casos, fazer terapia ou ter um serviço de orientação parental a seu dispor é essencial para que você compreenda e lide melhor com estas inseguranças e sentimentos difíceis. 

Referências

Instituto Priorit

Revista CEUMA Perspectivas 

 

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